Pesquisando o acervo do Jornal dos Sports, que marcou época no país, é inevitável não esbarrar nas colunas de Mário Filho. Ele comprou o periódico em 1936, cinco anos depois da fundação. O jornalista era o maior “cabo eleitoral” da construção do Maracanã. Em meados dos anos quarenta, mesmo antes do Brasil ser escolhido como sede da Copa de 1950, começou o debate sobre a necessidade da grandiosa obra para mais de 150 mil pessoas.
Em 1947, Mário Filho escreveu: “(…) Basta boa vontade para que surja o estádio nacional. (…) É preciso reconhecer que a CBD [atual CBF] não cruzou os braços diante da responsabilidade que assumiu de organizar e promover o campeonato do mundo. Pelo contrário: a CBD trabalhou sem descanso, procurando demover os obstáculos que se levantam para a construção do estádio nacional. (…) É preciso que se continue a agitar a opinião pública através de um amplo debate sobre o estádio nacional. (…).” Na época, os críticos do estádio ressaltavam que o Brasil era um país pobre e deveria investir recursos em saúde e educação.
O jornalista combatia, por exemplo, a criação de uma entidade privada chamada ENSA (Estádio Nacional Sociedade Anônima), contrária ao Maracanã: “Se houvesse a menor dúvida de que o ENSA nasceu para combater o Estádio Municipal, bastaria um anúncio que vem sendo publicado diariamente para desfazê-la por completo. O anúncio em questão é uma fotografia do Derby e uma legenda segundo a qual em terra seca não pode brotar estádio.
