O Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal (MPT-DF) resgatou um caseiro de 56 anos, vítima de 28 anos de trabalho análogo à escravidão, no Lago Norte (DF), bairro nobre do Distrito Federal. Segundo o órgão, a vítima recebia aproximadamente R$ 200 por semana, não tirava férias e vivia em condições precárias. Além disso, ele foi utilizado como laranja em empresas de integrantes da família.
“O trabalhador não possuía conta bancária nem telefone celular e relatou que sua carteira de trabalho permanecia com uma integrante da família. No caso desse trabalhador, identificamos as quatro modalidades de trabalho em condições análogas à escravidão”, pontuou a procuradora do Trabalho Lys Sobral Cardoso.
A investigação começou após uma denúncia anônima recebida em agosto de 2026. Dia 25 do mesmo mês, foi deflagrada a operação de resgate pelo MPT em conjunto com a Auditoria-Fiscal do Trabalho e a Polícia Federal (PF). Foram lavrados 13 autos de infração, incluindo um pelo reconhecimento de trabalho em condições análogas à escravidão.
Natural da Bahia, o homem chegou a Brasília em 1998 e começou a trabalhar como caseiro em uma residência no Núcleo Rural Córrego do Torto, no Lago Norte. Ele realizava serviços de jardinagem e cuidados com animais.
Segundo o MPT, integrantes da família de empregadores transferiram participações empresariais para o nome do caseiro, chegando a deixá-lo como único sócio e administrador de algumas sociedades.
