O Brasil corre o risco de repetir problemas econômicos e institucionais associados ao kirchnerismo na Argentina se não contiver o crescimento dos gastos públicos e preservar a independência dos órgãos de fiscalização. A avaliação é do economista Ademar Mesquita Junior, CEO da Braves Partners, que identifica semelhanças entre os dois países na utilização política de benefícios, na relação com o Judiciário e nas dificuldades para os equilibrar as contas.
“A Argentina não quebrou por causa de um único erro. Quebrou porque o kirchnerismo usou o dinheiro fácil do boom das commodities para inchar o Estado e comprar apoio, em vez de preparar o país para quando a maré baixasse”, afirma.
Na análise de Mesquita Junior, a comparação vai além da orientação de esquerda dos governos. O ponto central seria a combinação entre permanência prolongada no poder, expansão de despesas e enfraquecimento dos mecanismos de controle. Essa é a interpretação apresentada pelo economista em texto sobre o que chama de “kirchnerismo à brasileira”.
O CEO da Braves Partners sustenta que receitas obtidas em períodos favoráveis para as exportações deveriam financiar ganhos duradouros de produtividade. Em sua avaliação, o Brasil perdeu oportunidades de transformar a renda das commodities em infraestrutura, educação e maior competitividade industrial.
A crítica também alcança o financiamento de programas e benefícios.
