O jornal O Estado de S.Paulo criticou, em editorial nesta terça-feira, 27, o discurso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o veículo, o petista perdeu a oportunidade de reduzir a tensão política ao atacar o adversário e a imprensa profissional.
O veículo afirma que todos devem respeitar o resultado legítimo das urnas, a começar pelo derrotado. Ressalta, porém, que a vitória impõe obrigações. “Quem vence uma eleição tão acirrada tem o dever republicano de baixar a temperatura do País e mostrar que a campanha, com todos os seus excessos, ficou para trás.”
O editorial avalia que Lula deveria ter falado como chefe de Estado no domingo 25. Segundo o texto, optou por um “acerto de contas” ao chamar Flávio Bolsonaro (PL) de “o representante genuíno do milicianismo” e afirmar que o senador não teria “uma célula de humanismo”.
Jornal critica proposta de Lula "anti-imprensa"
O Estadão também criticou o anúncio de Lula de que falará com a população pelo celular, “muitas vezes por dia”, sem permitir que o interprete um “jornalista com má-fé”. O editorial sustenta que a mediação jornalística permite à sociedade fiscalizar o poder e constitui um instrumento fundamental da democracia.
Para o jornal, o presidente precisa dialogar com o Congresso e aceitar críticas. “Estadistas não governam com a cara enfurnada em um celular”, afirma.
