No topo da pirâmide do mercado de acompanhantes de altíssimo padrão no Brasil, a estabilidade de uma carreira milionária não depende do apelo estético nem da discrição dos clientes. Depende da clemência do “Tribunal”.
É em um grupo secreto do WhatsApp que três garotas de programa e que também atuam como cafetinas, uma com base em Curitiba (PR) e duas em Belo Horizonte (MG), exercem controle absoluto e impiedoso sobre centenas de modelos, impondo linchamentos virtuais, punições financeiras e o banimento definitivo de quem ousar contrariar a engrenagem do esquema.
A investigação da coluna Na Mira revelou que, se a rede de canais como o Casting Elite World opera como vitrine para programas de até R$ 10 mil direcionados à elite financeira do país e do exterior, o grupo batizado de “Tribunal” funciona como o braço punitivo e a engrenagem de tortura psicológica do império clandestino.
O funcionamento do “Tribunal” simula a estrutura de um juizado paralelo, contudo despido de qualquer direito de defesa ou rito processual. As decisões são tomadas de forma monocrática e instantânea pelas três gestoras da rede.
Julgamento
Para que uma garota de programa seja sumariamente remetida ao julgamento da câmara secreta, não são necessárias infrações graves: bastam prints de conversas privadas vazados, desentendimentos banais por disputa de clientes ou meras denúncias feitas pelos 15 a 30 agenciadores parceiros do trio.
