Quando o assunto é a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, é natural que os olhos se voltem primeiro para a Casa Branca. Afinal, decisões presidenciais, anúncios de tarifas e negociações entre governos produzem efeitos imediatos e ganham manchetes.
Mas uma passagem recente por Washington reforçou uma percepção que deveria receber mais atenção do agronegócio brasileiro: parte importante das decisões que podem afetar nossas exportações começa muito antes de chegar ao Executivo. Começa no Congresso, nos comitês, nas audiências, nas associações setoriais e na capacidade permanente de diferentes grupos econômicos de apresentar informações, defender interesses e participar ativamente do processo de construção das políticas públicas.
Em 3 de novembro, os Estados Unidos realizam suas eleições legislativas. Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço do Senado estarão em disputa. O resultado determinará as maiorias das duas Casas pelos próximos dois anos e, consequentemente, influenciará também a composição e a condução dos comitês legislativos.
Para o agro brasileiro, isso está longe de ser apenas política doméstica norte-americana.
Durante a missão da qual participei recentemente em Washington, uma das agendas ocorreu no Comitê de Ways and Means da Câmara dos Representantes, especificamente com representantes do Subcomitê de Comércio.
