Integrar a produção agropecuária e o patrimônio ambiental brasileiro como recursos de poder deve orientar uma atuação pragmática do próximo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação de Alberto Pfeifer, professor do Insper Agro Global e especialista em geopolítica e agronegócio, o país precisa articular esses ativos em uma estratégia que amplie sua influência internacional e dê condições para a continuidade dos investimentos no campo.
Para o professor, essa integração exige superar a separação entre políticas ambientais, agricultura familiar e produção empresarial que marcou o mandato que termina neste ano. Embora o governo tenha aberto mercados para os produtos brasileiros, Pfeifer avalia que os avanços ocorreram de forma fragmentada, sem consolidar o agronegócio como instrumento estratégico de projeção do Brasil.
“O espaço do meio ambiente não se comunicava com o agronegócio. O espaço da agricultura familiar não tinha comunicação com a agricultura empresarial. Falta essa visão”, afirma.
Na leitura do especialista, a contribuição do setor vai além da exportação de alimentos e da geração de divisas. A capacidade produtiva e os ativos ambientais podem fortalecer a posição brasileira como provedor de segurança em diferentes áreas. Transformar esse potencial em influência, porém, depende de uma orientação integrada do governo.
Essa agenda terá de avançar em um ambiente de acomodação política após a eleição.
