O resultado das eleições, com a vitória do presidente Lula (PT) com mais de 4 milhões de votos à frente de Flávio Bolsonaro (PL), surpreendeu a maior parte do Centrão. Na campanha de segundo turno, quase todos os partidos apoiaram o senador do PL, mas já recalculam rota menos de 24 horas após a abertura das urnas e admitem compor com o governo Lula.
O discurso é de que será preciso fazer um governo de coalizão, com a participação de outros partidos além da esquerda na Esplanada.
Como pano de fundo, há também o instinto de sobrevivência desses partidos, que temem perder espaço no Congresso diante do crescimento da bancada do PL. As cúpulas de partidos como Republicanos, MDB e PSD já conversam para tentar unificar a atuação do grupo após a eleição.
“Precisamos encontrar um caminho menos traumático para o país. O novo governo vai ter um cenário de antagonismo, mas eu espero que a gente consiga ir com maturidade”, afirma um senador do Centrão que apoiou Flávio durante a campanha.
Na mesma linha, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) diz que Lula terá de negociar com esses partidos para garantir sustentabilidade no Congresso.
“Os partidos de Centro têm um DNA pela governabilidade, pelo compromisso de que o presidente eleito possa cumprir seu plano de governo, que foi aprovado nas urnas. Não vejo surpresa no que vai acontecer, que é a construção de uma maioria para sustentar o governo no nosso presidencialismo de coalizão”, afirma.
Após eleição de Lula, Centrão recalcula rota e admite compor com o governo
