BRASIL - O cantor e compositor Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira (26). Mais de nove anos após sua morte, o artista cearense continua despertando o interesse do público, com livros, documentários, produções audiovisuais, musicais e shows em homenagem à sua trajetória. Para o jornalista e colunista do g1 Mauro Ferreira, porém, a valorização da obra do músico ainda está muito concentrada em um único disco: Alucinação, lançado em 1976.
Em texto publicado no g1, Ferreira analisa como a redescoberta de Belchior ganhou força nos últimos anos de vida do artista, quando ele passou a viver longe dos holofotes, e foi ampliada após sua morte, em 2017, aos 70 anos. Na avaliação do colunista, embora o álbum seja uma obra fundamental da música brasileira, limitar o interesse do público a esse repertório pode deixar de lado outras composições relevantes.
Lançado em um período de transformações culturais e políticas, Alucinação reúne canções que abordam as inquietações de uma geração marcada pela repressão da ditadura militar, pelas contradições do sistema capitalista e pelo desencanto com os ideais da contracultura. Para Ferreira, o disco concentra boa parte do que há de mais expressivo na obra do compositor.
Entre as músicas que se destacam estão “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, “Como Nossos Pais” e “Velha Roupa Colorida”, que ajudaram a consolidar Belchior como uma das vozes marcantes da música brasileira dos anos 1970.
