A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre caminho para a consolidação de uma nova política industrial voltada aos minerais críticos e estratégicos, com maior participação do Estado no financiamento de projetos, incentivos ao processamento de matérias-primas no Brasil e mecanismos de controle sobre investimentos estrangeiros.
A estratégia, que ganhou força nos últimos meses do atual mandato, busca aproveitar o interesse internacional pelas reservas brasileiras para desenvolver uma indústria de maior valor agregado, especialmente em cadeias como terras raras, lítio, níquel, cobre e grafite, utilizadas em baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa.
O ponto de partida será a implementação da PNMCE (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos), sancionada por Lula em setembro. A legislação estabelece instrumentos de financiamento, benefícios fiscais e uma nova estrutura de governança, mas ainda depende de regulamentação para que parte de seus mecanismos entre efetivamente em operação.
Com a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL), o governo ganha continuidade política para executar uma estratégia que poderia passar por revisões sob uma administração adversária. O desafio, agora, será transformar as novas regras em investimentos industriais concretos, sem comprometer a atração de capital estrangeiro para a exploração dos recursos minerais.
