Mudanças climáticas são um dos principais fatores responsáveis pelo aumento de doenças infecciosas no Brasil, segundo aponta um estudo da Fundação Oswaldo Cruz publicado na revista científica Nature Medicine.
O levantamento apontou uma transmissão progressiva de dengue em direção ao Sul e ao Centro-Oeste do Brasil que, historicamente, eram as regiões com a menor proliferação do mosquito Aedes aegypti.
O resultado dessa mudança é a desregulação climática. O inseto se reproduz em faixas de temperatura entre 18°C e 33°C. A Região Sul e áreas de planalto registravam médias de inverno abaixo de 18 °C, que funcionava como uma “barreira geográfica” natural contra o vetor, que se reproduz em locais úmidos e quentes.
No entanto, o aumento das temperaturas acima desse padrão passou a manter o ciclo do mosquito ativo o ano todo, permitindo a sustentação continuada da doença.
“O que se observa é que o processo de expansão da área de transmissão da dengue parece ser irreversível. Uma vez introduzidos, o vírus e o vetor, é improvável que se retorne a um cenário de transmissão zero”, disse os autores do estudo em entrevista à Agência Brasil.
Além disso, o aumento de ondas de calor no verão, também se apresenta como o acelerador do ciclo reprodutivo do vírus. A região Sul, que antes apresentava baixa frequência desse fenômeno, passou a ter 10 dias por mês com anomalias térmicas.
