Em 26 de outubro de 1965, os quatro integrantes dos Beatles, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, atravessaram os portões do Palácio de Buckingham para receber da Rainha Elizabeth II a insígnia de Membros da Ordem do Império Britânico (MBE).
A concessão da honraria, anunciada após indicação do então primeiro-ministro Harold Wilson, marcou a primeira vez que representantes da música jovem receberam a distinção oficial.
Contudo, a cerimônia esteve longe de ser meramente protocolar e desencadeou uma onda de indignação entre militares e antigos condecorados pela Coroa britânica.
A Ordem do Império Britânico foi criada em 1917 pelo rei George V durante a Primeira Guerra Mundial com o objetivo de reconhecer serviços prestados ao país. Com o passar das décadas, a comenda passou a incluir contribuições nas artes, ciências e trabalhos comunitários, mas ainda mantinha forte associação com veteranos de guerra e figuras da vida pública tradicional.
A inclusão dos Beatles provocou imediata rejeição por parte de setores conservadores. Diversos antigos homenageados consideraram que o reconhecimento a um grupo de rock desvalorizava o prestígio da instituição e devolveram suas próprias medalhas em sinal de protesto.
Entre os críticos esteve o parlamentar canadense Hector Dupuis, que expressou publicamente seu descontentamento por ser colocado no mesmo patamar dos músicos.
