É difícil encontrar, entre os 120 líderes mundiais que discursaram nas Nações Unidas em setembro, uma vida e uma trajetória política tão singulares e épicas quanto a do filho de Dona Lindu. Sua mãe ocupa um lugar de destaque na narrativa que Luiz Inácio Lula da Silva (80 anos, Garanhuns, Pernambuco) construiu sobre sua vida. Em seu décimo discurso perante a Assembleia Geral, o presidente do Brasil (2003-2009 e desde 2023) falou de grandes conceitos como soberania, democracia e multilateralismo, mas em comícios, gosta de mergulhar no pessoal. E de contar como sua mãe lhe ensinou, por meio de seu exemplo diário, as lições que forjaram seu caráter. “Dona Lindu, analfabeta, mãe de oito filhos pequenos, teve a coragem de deixar meu pai. Morou num barraco, criou oito filhos e transformou Lulinha nesta bela pessoa que fala com vocês hoje”, lembrou o veterano político no início de sua sétima campanha presidencial, em agosto. O cenário era uma homenagem nostálgica ao passado, naquele estádio que reuniu os trabalhadores contra a ditadura.
Neste domingo, dia 25, ele enfrentou mais uma batalha decisiva. A enésima. Dona Lindu também lhe ensinou a nunca desistir. Uma perseverança que ele demonstrou nas três semanas desde o choque da derrota no primeiro turno. O senador Flávio Bolsonaro, herdeiro do clã da extrema-direita, o derrotou por 47% a 45%. Bolsonaro Jr. provou ser um adversário mais difícil do que o esperado.
