Na última coluna do “Memória da Pan”, destaquei uma entrevista de Paulo Machado de Carvalho à Revista Realidade, em 1966. Agora, resgato uma gravação histórica do “Marechal da Vitória”. Na década de 70, o empresário participou de um programa da Rádio Record. Falando ao apresentador Altieris Barbiero, ele fez questão de relembrar a ousadia que teve ao comprar a emissora, no começo dos anos trinta.
No livro “Marechal da Vitória”, o jornalista Tom Cardoso relembrou aquele momento: “(…) Paulo Machado de Carvalho parou em frente à porta do casarão da família, na rua das Palmeiras. Respirou fundo, tentou se acalmar, mas a ansiedade o perturbava. Ficou por alguns minutos na mesma posição, falando baixinho, criando coragem para contar a novidade à mãe. Aquela não era uma notícia qualquer. Ele acabara de empregar todas as suas economias na compra de uma rádio moribunda na praça da República, centro de São Paulo. Em 1931, ter uma rádio era como tocar violão - não dava futuro a ninguém, diziam. Ainda mais a um jovem de família quatrocentona, que abandonara a segura carreira de advogado sonhada pelo pai, morto há onze anos, para se aventurar em negócios arriscados. (…).”
Paulo Machado de Carvalho comprou a modesta rádio, que ficava no número 17 da Praça da República, por 25 contos de réis. O cunhado, Pipa Amaral, e Jorge Alves Lima, parente distante da mulher do futuro “Marechal da Vitória”, fizeram parte da sociedade.
