As eleições de 2026 chegaram ao fim com a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro por uma margem apertada de apenas 3,5 pontos percentuais. O resultado confirma a divisão do país e revela uma disputa em que a rejeição ao adversário parece ter desempenhado papel tão relevante quanto a confiança no candidato escolhido. Para além do desfecho das urnas, porém, o pleito deixa marcas institucionais que merecem reflexão, especialmente quanto à influência do Poder Judiciário sobre o processo eleitoral.
Uma das principais características desta eleição foi a excessiva interferência do Judiciário no ambiente político. As denúncias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal no escândalo do Banco Master contribuíram para ampliar os questionamentos sobre a imparcialidade e a credibilidade da Corte. Ainda que denúncias devam ser apuradas com rigor e não se confundam com condenações, a simples existência de suspeitas dessa gravidade envolvendo integrantes da mais alta instância judicial impõe um custo à confiança pública nas instituições. Em uma democracia, a autoridade do Judiciário depende não apenas de suas prerrogativas constitucionais, mas também da percepção de independência, transparência e equidistância em relação às forças políticas.
Mais preocupante, contudo, é o impacto das próprias decisões judiciais sobre as regras do processo eleitoral. Tivemos episódios polêmicos envolvendo ambos os lados.
