Lula conquistou nas urnas o direito de governar o Brasil pela quarta vez. A vitória sobre Flávio Bolsonaro encerra a disputa pelo voto e abre uma cobrança que começa imediatamente: como o presidente pretende enfrentar os problemas da economia?
Na minha avaliação, a reação da campanha nas redes sociais teve papel importante na virada do segundo turno. André Janones ganhou protagonismo com o “Exército do Lula”, mobilizando apoiadores e dando à militância uma capacidade de comunicação que a campanha havia aproveitado pouco até o primeiro turno.
A estratégia ajudou a transformar simpatizantes em participantes da campanha. Gente que compartilhava mensagens passou a convocar outras pessoas, defender o candidato e estimular o comparecimento às urnas. A juventude, agradecida por Lula no discurso da vitória, participou desse movimento.
Não se pode atribuir o resultado inteiro às redes. Mas houve uma mudança de disposição da campanha, que recuperou a iniciativa na reta final. Agora, o presidente precisará demonstrar a mesma capacidade de reação diante de um problema que a comunicação, sozinha, não resolve.
O crescimento precisa de sustentação
No pronunciamento após a vitória, Lula afirmou que governará para todos e prometeu mudar a maneira de governar. Falou de investimentos, educação e desenvolvimento. Faltou, porém, uma sinalização concreta sobre como pretende ajustar as contas públicas.
Não se esperava um programa econômico completo na noite da eleição.
