Com a vitória nas urnas em 2026, o presidente Lula ganhou automaticamente um novo desafio. Sem possibilidade de reeleição em 2030, o petista corre risco de ver seu partido, o PT, envolvido em um drama shakespeariano na disputa por sua sucessão daqui a quatro anos.
Dois dos personagens trágicos do bardo inglês podem ser encarnados por Lula, a depender de suas escolhas futuras e passadas. Com isso, o presidente reeleito poderá jogar o partido, fundado por ele próprio há 46 anos, em uma espiral de disputas internas fratricidas.
Na tragédia petista, dois caminhos se desenham. Caso erre nas doses, Lula pode acabar como Lear ou Macbeth. E, como o leitor talvez saiba, nenhuma das duas peças termina de forma feliz.
O primeiro caminho é o de quem não consegue preparar a própria sucessão. Em Rei Lear, o monarca busca a bajulação das filhas, acaba traído, enlouquece e vê seu reino mergulhar em uma guerra civil.
Na peça, Lear decide dividir o reino entre as três filhas. Cordélia, a mais nova, se recusa a bajular o pai como fazem as irmãs mais velhas e acaba banida.
Mais tarde, o monarca percebe que aquelas que mais o adulavam não eram as mais leais. A tragédia termina com Lear vendo Cordélia, a única que foi realmente fiel ao pai, morrer em seus braços.
Lula corre um risco semelhante. Depois de décadas como principal liderança da esquerda brasileira, o presidente terá de escolher quem poderá herdar seu capital político. E precisará aceitar que esse sucessor tenha brilho próprio.
