As coisas que você pode ver e tocar, desta revista às estrelas, são feitas do que os físicos chamam de matéria bariônica. Mas ela é só 15% da matéria do cosmos. Os 85% restantes são matéria escura, invisível e indetectável, que só sabemos existir por causa de sua atração gravitacional.
Um palpite popular é que ela seja feita de WIMPs, sigla em inglês para “partículas maciças que interagem fracamente”. Elas são um construto teórico; nunca vimos uma. Mas, caso existam, elas precisam ter certas características - o que permite aos físicos prever como seria a colisão de uma WIMP com uma partícula do nosso cotidiano, como os prótons e nêutrons que compõem nossos átomos.
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Dentre os candidatos da tabela periódica, o gás nobre xenônio tem uma série de características que o tornam propício a detectar WIMPs. Por isso, o experimento LUX-ZEPLIN, nos EUA, mantém 7 toneladas de xenônio líquido a -100 ºC numa câmara a 1,5 km de profundidade. Nessa friaca, o xenônio fica três vezes mais denso que a água - o que torna o tanque assaz apertado em escala atômica e aumenta a chance de uma WIMP errante trombar em alguém.
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Em junho de 2023, o LZ detectou uma colisão difícil de explicar por fontes conhecidas. Seria uma WIMP? Após analisar 220 dias de dados, a equipe (1) estima em apenas 0,5% a chance de o evento ter uma explicação convencional.
