Obras de infraestrutura urbana no centro de São Paulo trouxeram à tona um importante patrimônio arqueológico ligado à história da população negra e indígena da capital. Durante as intervenções do programa municipal Ruas Abertas no bairro da Liberdade, arqueólogos identificaram fragmentos de ossos humanos e artefatos de rituais de matriz afro-brasileira a poucos centímetros abaixo do asfalto.
As descobertas ocorreram na área correspondente ao antigo Cemitério dos Aflitos e mobilizaram órgãos de preservação para o acompanhamento técnico dos trabalhos. Embora a Liberdade seja reconhecida internacionalmente por sua forte identidade cultural asiática, seu subsolo guarda uma camada e por vezes esquecida da formação paulistana.
A presença desses vestígios mostra como a memória social de populações marginalizadas do passado permanece preservada sob a rotina agitada do trânsito da cidade, separada da superfície por uma fina camada de solo e pavimento.
Homem encontra espada de 2.700 anos fincada em floresta - objeto de 60 cm pode revelar segredos da Idade do Bronze entre 900 e 700 a.C
Achados a 30 centímetros da superfície: as louças sacras e o fêmur revelados nas escavações
As primeiras peças foram encontradas em junho, na rua dos Estudantes, próximo à esquina com a rua Galvão Bueno, onde uma vala a 35 centímetros de profundidade revelou pedaços de louça, vidro e ossos bovinos associados a práticas religiosas afro-brasileiras.
