O governo que acorda nesta segunda-feira (26/10) não mudou desde sexta. Nenhuma medida foi anunciada, nenhum ministro deixou o cargo e nenhum indicador piorou no fim de semana. A diferença entre os dois dias está no resultado de uma bet que boa parte do mercado financeiro fez na eleição presidencial.
Durante semanas, grandes investidores se posicionaram para a vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Lula (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21%, e a fatura apareceu antes mesmo da abertura da B3. Na noite de domingo, o EWZ, fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, chegou a cair 18,29% no pregão noturno. Em Chicago, o real recuou mais de 11% no mercado futuro, com dólar implícito perto de R$ 5,50. Como o EWZ é cotado em dólar, a queda dele soma o tombo das ações e o da moeda.
O próprio mercado batizou o movimento de trade eleitoral, nome dado às estratégias de curto prazo montadas em cima do cenário político. Ele ganhou força em setembro, quando as pesquisas passaram a mostrar empate técnico, e deixou rastro nos números. Os contratos de opção que ganham com o Ibovespa a 200 mil pontos depois do segundo turno aumentaram em 4,5 milhões num único dia e chegaram a 5,6 milhões em aberto. Naquele momento, o índice ainda rondava os 175 mil. Segundo a B3, o volume médio diário das opções semanais mais que dobrou, de R$ 50 milhões em 2025 para R$ 106 milhões neste ano.
Quem operava não escondia a natureza do jogo.
