Com boas razões o Brasil se orgulha de possuir uma das mais limpas matrizes energéticas do mundo pois cerca de 90% do total da eletricidade que consumimos provém de fontes renováveis. É fato auspicioso que novas formas de energia renovável, como a solar e a eólica, hajam crescido significativamente em anos recentes, porém as águas que passam pelas turbinas ainda garantem mais da metade do consumo total.
No entanto, é fato que o noticiário cotidiano nos adverte com crescente frequência sobre os níveis baixos dos maiores reservatórios hidrelétricos e o encarecimento da eletricidade, impondo uma reflexão urgente no Brasil sobre as tecnologias de armazenamento de energia.
Há quatro tipos dessas tecnologias: as eletroquímicas, em especial as baterias de íon-lítio, que se destacam pela resposta rápida nas situações de emergência; as térmicas, que acumulam energia sob a forma de calor ou frio; as químicas, que produzem hidrogênio verde mediante a eletrólise da água; e, por fim, as mecânicas, que empregam o armazenamento hidráulico reversível e são aquelas que, a nosso juízo, merecem urgente atenção no Brasil devido ao potencial que representam e à sua garantida durabilidade.
As usinas hidrelétricas reversíveis (UHRs) funcionam como uma bateria gigante ao utilizar água de dois reservatórios em altitudes diferentes. No período de baixa demanda, quando sobra energia na rede, usam o excesso de eletricidade para bombear a água do reservatório inferior para o superior.
