O presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, classificou como uma “tragédia socioeconômica” a aprovação da proposta que acaba com a escala 6x1. Em entrevista a Oeste, ele afirmou que a mudança pode elevar os preços, reduzir a oferta de serviços e pressionar empresas que já enfrentam dificuldades financeiras.
“Para nós, a aprovação é uma tragédia socioeconômica anunciada”, disse Solmucci.
Segundo ele, os efeitos não ficarão restritos aos bares e restaurantes. Condomínios, escolas privadas, hospitais e empresas que prestam serviços a prefeituras também poderão enfrentar aumento de despesas e dificuldades para organizar as equipes.
O Senado aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos em 14 de outubro, com 75 votos favoráveis e um contrário em cada votação. A proposta reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas. A implantação prevê uma etapa inicial de 42 horas semanais, seguida da redução para 40 horas.
Para Solmucci, a dificuldade de encontrar profissionais e o custo de manter o funcionamento dos estabelecimentos tornam a transição mais complexa. A Abrasel estima que cerca de 15 milhões de trabalhadores com carteira assinada atuam na escala 6x1. Para manter o nível atual de atendimento com um dia adicional de descanso, o país precisaria de mais 3 milhões de profissionais, segundo a entidade.
“Vai ser um ‘rouba-monte’”, afirmou o dirigente.
