Reeleito após uma virada histórica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá grandes desafios econômicos para enfrentar em seu quarto mandato.
Entre uma dívida pública trilionária, o mercado de trabalho em transformação e o endividamento a níveis recordes, especialistas apontam possíveis caminhos para viabilizar a sustentabilidade das contas públicas pelos próximos anos.
Desequilíbrio Fiscal
Foco do mercado financeiro, o desequilíbrio fiscal do país está entre os maiores entraves a serem superados pelo governo federal.
Hoje, mais de 95% do orçamento está comprometido com despesas obrigatórias. Para as discricionárias, o espaço é mínimo e reflete o nível atual da rigidez das contas públicas.
Para a consultora econômica e pesquisadora da FGV EESP (Escola de Economia de São Paulo), Tatiana Pinheiro, a indexação dos gastos é o principal motor deste cenário.
“O governo não tem muita margem de manobra, não tem muita atuação, ele não pode fazer nada a respeito dessa grande parte das despesas que cresce determinada por uma indexação já colocada em lei”, afirma.
Apesar do desafio ser claro, o governo e Congresso seguem aprovando novos gastos, que se somam a programas e benefícios já existentes.
“A nossa arrecadação é bastante grande. Você tem um orçamento farto. A questão é o direcionamento desse orçamento. Uma questão que a gente tem que se perguntar é se esse gasto realmente visa o bem-estar”, aponta Pinheiro.
