Quando pensamos em prevenir um infarto, geralmente lembramos do controle do colesterol, da pressão arterial, da alimentação e da atividade física. Poucas pessoas, entretanto, associam a vacinação à proteção do coração. Essa relação vem ganhando importância na medicina e representa uma mudança na maneira como entendemos a prevenção cardiovascular.
Em 2025, a Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) publicou um documento de consenso propondo que a vacinação seja reconhecida como o quarto pilar da prevenção cardiovascular, ao lado do controle dos fatores de risco, das mudanças no estilo de vida e do tratamento medicamentoso.
A recomendação parte de uma constatação importante: determinadas infecções não afetam apenas os pulmões ou as vias respiratórias. Elas também podem aumentar o risco de complicações cardiovasculares, especialmente em pessoas que já apresentam doenças cardíacas.
Por que uma gripe pode desencadear um infarto?
Durante uma infecção, o organismo desencadeia uma resposta inflamatória para combater o agente infeccioso. Esse processo pode provocar alterações na coagulação, aumentar a frequência cardíaca e exigir maior esforço do coração.
Em pessoas com aterosclerose, doença caracterizada pela formação de placas de gordura nas artérias, a inflamação pode contribuir para a instabilidade dessas placas e favorecer a formação de coágulos. Dependendo da artéria comprometida, o resultado pode ser um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC).
