“Para quem crê, o mesmo Deus que inspirou a Bíblia criou a natureza, então os dois não podem se contradizer de verdade. Mas, tanto a leitura da Bíblia quanto a leitura da natureza são feitas por seres humanos, e nós erramos dos dois lados”, pondera o teólogo Rodrigo Silva. Justamente para debater sobre essas interpretações a cerca da origem do universo, da existência de Deus, das evidências que sustentam aquilo em que acreditamos e dos limites do conhecimento humano, o Metrópoles Talks traz para Brasília, no dia 29 de outubro, um confronto de ideias entre Rodrigo e o divulgador científico Sérgio Sacani.
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“Quando aparece um conflito, a primeira pergunta que eu faço não é ‘quem está certo, a Bíblia ou a ciência?’, e sim ‘onde está o erro de interpretação?’. Uma coisa é querer descobrir a verdade e outra é querer que a verdade esteja ao meu lado custe o que custar, e isso vale para qualquer sujeito pensante”, afirma o especialista em Arqueologia Bíblica.
“Às vezes o erro está na nossa leitura do texto. O caso de Galileu é o exemplo clássico: muitos teólogos da época usaram versos poéticos dos Salmos para defender que a Terra era imóvel. Pior ainda, se valiam de um erro de tradução da Bíblia latina para afirmar coisas que o texto hebraico não dizia. O problema não estava na Bíblia, mas em quem quis tirar dela uma aula equivocada de astronomia”, ressalta.
