A direita vinha surfando uma onda na América do Sul nos últimos dois anos, em período que coincidiu com Donald Trump conseguindo se eleger para voltar ao poder nos Estados Unidos.
Daniel Noboa foi reeleito no Equador. Abelardo de la Espriella, José Antonio Kast e Rodrigo Paz chegaram às presidência de Colômbia, Chile e Bolívia. E Keiko recolocou a família Fujimori no poder no Peru.
Essa onda foi quebrada neste domingo (25), com Lula (PT) freando a volta da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto ao derrotar Flávio (PL). Brasil, Canadá e México são as três maiores economias das Américas depois dos EUA, e todas elas seguem governadas pela esquerda.
Para o diretor da Eurasia Group para as Américas, Christopher Garman, a eleição deste domingo coloca a relação bilateral entre Brasília e Washington em um “território mais perigoso” - mas com limites pelo lado dos EUA.
“O Brasil detém um estoque significante de investimenos diretos de empresas americanas - e essas empresas também representam seus interesses econômicos em Washington”, afirmou ao WW.
Garman também destacou o fornecimento de terras raras brasileiras para os Estados Unidos, essencias para os americanos reduzirem a dependência que tem desses minerais em relação ao chineses. “Os Estados Unidos não podem brincar com fogo”, acrescentou.
O desafio é maior dentro de casa. Lula enfrentará um Congresso mais à direita do que teve lidar nos últimos quatro anos.
