“Falar até papagaio fala”. A frase é famosa e representa uma habilidade que é comum entre alguns grupos de aves: o dom de imitar sons ou até palavras ditas por humanos. Mas essa capacidade só é possível devido à siringe, um órgão vocal exclusivo e responsável pela produção de cantos e sons. Além disso, algumas espécies possuem circuitos cerebrais especializados na aprendizagem vocal.
“Algumas aves, como os papagaios, as araras e as maritacas, apresentam uma habilidade bastante desenvolvida para aprender e reproduzir sons que escutam no ambiente. Outras aves também se comunicam por meio de vocalizações complexas, mas não apresentam a mesma capacidade de aprender e reproduzir sons novos, especialmente os produzidos pelos seres humanos,” explica o biólogo Rafael Moreira, do Parque Três Pescadores, no estado de São Paulo.
As aves que reproduzem sons utilizam a musculatura da siringe para controlar os atributos acústicos das vocalizações e ter uma grande variedade de sons. Quando o ar dos pulmões passa pelo sistema, o barulho é gerado, podendo ser modificado com o controle do órgão, a pressão do ar e os movimentos do bico, da língua e de outras estruturas do trato vocal.
“No caso dos papagaios e de outras aves imitadoras, a coordenação entre o sistema vocal e os circuitos cerebrais responsáveis pela aprendizagem permite reproduzir padrões sonoros que escutam, incluindo palavras humanas”, diz Moreira.
Mas as aves entendem o significado dos sons que estão reproduzindo?
