Vitória de Lula freia avanço da direita na América Latina e mantém Brasil dividido
Quarto mandato do petista preserva contraponto a governos próximos de Trump, mas fortalecimento conservador no Congresso impõe desafios à governabilidade
Por Eliseu Caetano
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro interrompe uma sequência de conquistas eleitorais da direita na América Latina e mantém o Brasil como um contraponto aos governos da região alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O resultado, porém, não encerra a disputa entre os dois campos políticos: Lula conquista um quarto mandato diante de um Congresso mais conservador e de um eleitorado dividido.
Com 99,99% das urnas apuradas neste domingo (25), o presidente tinha 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral reproduzidos pela Folha de S.Paulo. A diferença de 3,56 pontos percentuais assegurou ao petista uma conquista inédita: nenhum outro presidente brasileiro havia sido eleito para quatro mandatos.
A virada também rompe um precedente das eleições presidenciais desde a retomada do voto direto, em 1989. Flávio havia vencido o primeiro turno com 47,03%, diante de 45,16% de Lula. Pela primeira vez nesse período, o candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu superar o adversário na etapa decisiva.
