O paradoxo da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é que não leva o Brasil para algo que já se conhece há muito tempo. Leva para o desconhecido.
O país está, provavelmente, e vai aprofundar a enorme divisão, que já é acentuadamente não só por região, mas por atividade econômica também, com os setores mais dinâmicos contrários ao atual e futuro governo que deixou para si mesmo uma armadilha fiscal cuja tendência é piorar.
A estagnação é um dado inegável da realidade brasileira. Descrença, cansaço e desconfiança das instituições também. Elas vão para uma crise sem precedentes de degradação e falta de legitimidade.
Confirmam para uma parcela enorme da população a noção de uma ditadura de togados, que se une para proteger comportamentos abomináveis, privilégios intocáveis e autoridade a partir da força e não da razão.
A vitória de Lula é uma derrota direta do clã Bolsonaro, que aparentemente preferiu perder uma eleição do que deixar o comando do que se poderia chamar de espectro de centro direita no Brasil.
Se o resultado a ser colhido por Lula é um país dividido, endividado, violento e estagnado, o do clã Bolsonaro é ficar sem a eleição e também sem a liderança das forças que compõe com enorme maioria o legislativo e governam os estados com mais população e maior peso na economia.
