Com 99,85% dos votos apurados, Lula, do PT, venceu a eleição presidencial com 51,76% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro, do PL, ficou com 48,24%. A catástrofe anunciada, “O Dia Depois de Amanhã”, não veio. Mas o filme não acabou. Vamos ver a sanha com que a extrema direita batida nas urnas tentará reescrever o resultado, deslegitimar o vencedor e manter viva a lógica que enxerga adversários como inimigos a destruir, com todos os riscos institucionais que isso acarreta. “Não sabendo ser impossível, Lula foi lá e fez.” Ou será que o deputado André Janones (Rede-MG) sabia ser possível? Ao quarto mandato, o presidente soma outro ineditismo: nunca ninguém havia vencido uma eleição chegando em segundo lugar no primeiro turno. Aconteceu.
Os sinais da campanha do herdeiro político de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe e hoje em prisão domiciliar, foram péssimos, assim como a barbárie moral promovida por seus seguidores nas redes. A resistência democrática, que ganhou volume na corrida do segundo turno, mostrou que tem fôlego. Ainda assim, como dizem, “a luta continua”.
A democracia brasileira recuou, por ora, da linha de risco. Felizmente, não preciso de malabarismos retóricos para criticar a ideologia mixuruca hoje dominante na análise política, a do “nem-nem” entre a civilização e a fascistização. Se as duas opções se equivaliam, por que tanta gente viveu esta eleição como decisiva?
