Quase dez meses após a captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em seu bunker no sudoeste de Caracas, tanto a presidente interina, Delcy Rodríguez, quanto a principal líder da oposição, María Corina Machado, não parecem dispostas a entrar em um confronto aberto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por causa de sua política em relação ao país sul-americano e da situação dos migrantes nos Estados Unidos.
E ambas têm motivos para questionar o mandatário norte-americano.
No mesmo dia da operação militar contra Maduro, Trump afirmou que governava a Venezuela. Ao longo das semanas seguintes, ele declarou, por exemplo, que aos vencedores “pertence o espólio” e que o país não está preparado para realizar eleições.
Mas, exceto durante as horas confusas que se seguiram ao desaparecimento de Maduro, quando Rodríguez denunciou a “agressão militar” dos Estados Unidos e prometeu que seu país “jamais voltaria a ser colônia de nenhum império”, a presidente interina optou por ignorar as bravatas do líder norte-americano.
Isso contraria a identidade política construída ao longo de várias décadas pelo chavismo, um movimento que reafirmou seu caráter anti-imperialista até a véspera da operação militar de 3 de janeiro.
Delcy Rodríguez evitou usar a tribuna da Assembleia Geral da ONU para denunciar Washington, algo que quase todos os oradores chavistas, inclusive ela mesma, fizeram habitualmente em anos anteriores.
