Há dias em que um país parece caber numa fila. Gente de diferentes idades e profissões aguarda a vez de realizar um gesto simples: escolher quem deverá governá-la. Neste domingo, 25 de outubro, o Brasil voltará às urnas para decidir quem ocupará a Presidência da República. Será o seu Dia da Cidadania. Depois das campanhas, a palavra passará dos palanques às mãos do eleitor.
A cena traduz o ideal consagrado por Abraham Lincoln, no discurso de Gettysburg, em 1863: o governo “do povo, pelo povo, para o povo”. As três expressões definem a origem, o exercício e a finalidade do poder. O povo o legitima, participa de sua constituição e deve ser o destinatário de seus resultados. Quando uma dessas dimensões desaparece, a democracia perde substância, mesmo conservando seus rituais.
Na cabine de votação, a igualdade política ganha uma expressão concreta. O voto do empresário vale quanto o do trabalhador; o do professor, tanto quanto o de quem não teve acesso à escola. As desigualdades continuam do lado de fora, mas ninguém dispõe de duas escolhas por ter mais dinheiro ou influência. A soberania popular se afirma aí. Por alguns instantes, o cidadão deixa de ser alvo da propaganda e assume a condição de autor da decisão.
O Brasil chega a esse encontro sob o peso da polarização. O debate eleitoral, quando organizado pela hostilidade, transforma divergências em suspeitas e adversários em inimigos. A proposta cede espaço ao ataque; a explicação perde para a frase de efeito.
