A opinião quase unânime antes do primeiro turno era a de que o país vivia um desinteresse coletivo pelas eleições, uma espécie de estafa com a polarização, alimentada pela falta de esperança do eleitor. Nada parecido com a explosão que se viu nas ruas nas últimas três semanas, a maior parte dela capitaneada por jovens que se assustaram com o placar pró Flávio Bolsonaro do round inicial. A virada de chave em favor do presidente Lula - que pode ou não se confirmar nos votos deste domingo - ganhou corpo em manifestações gigantes nos grandes centros urbanos e em mais de uma centena de cidades, engajando um contingente que há tempos não tomava as ruas e muito menos as rédeas de uma disputa eleitoral.
A força das ruas surpreendeu a todos. Redefiniu a estratégia petista para a reta final e exigiu correção de rumos na campanha de Flávio, que pouco havia se dedicado ao contato direto com o eleitor.
Na seara lulista, pipocaram eventos espontâneos de todos os portes que, aliados à programação oficial, reuniram milhões nas ruas, com ou sem a presença do candidato. As multidões foram crescendo em número e em alegria, algo que o país só havia assistido no movimento das Diretas Já.
Os jovens chacoalharam a campanha, atraindo tribos que se negavam a participar de eventos políticos. Isso vale, por exemplo, para fã-clubes de artistas pop, que chegaram a ser citados nominalmente por Lula no ato da Avenida Paulista, no dia 11.
