O mundo atravessa uma reconfiguração política que já não se explica pelos manuais das últimas décadas. Em países de diferentes continentes, eleitores vêm rejeitando a combinação da elevação do custo de vida e narrativas culturais percebidas como imposições.
O resultado é uma sequência de vitórias de forças de direita e centro-direita que está alterando o equilíbrio de poder internacional e, por extensão, as condições nas quais o Brasil decide seu futuro neste domingo, 25 de outubro.
Essa onda começou a se desenhar com clareza em 2016, com o Brexit no Reino Unido e a primeira eleição de Donald Trump nos EUA. Ambos os eventos romperam a ideia de que globalização e multilateralismo eram processos irreversíveis e devolveram ao centro do debate temas como soberania, controle de fronteiras e prioridade dos interesses nacionais. A partir dali o movimento ganhou força na Europa e na América Latina, em ritmos e com características próprias em cada nação.
Na Europa, Giorgia Meloni chegou ao poder na Itália em 2022 com uma agenda explícita de direita, mantendo alta popularidade mesmo enfrentando resistências de instituições europeias.
Na França, Marine Le Pen e o Rassemblement National ampliaram a presença parlamentar, sendo favoritos ao Élysée. Na Alemanha, a AfD cresceu e forçou o centro a discutir temas que eram tabus. Na Polônia, os conservadores recuperaram a Presidência com Karol Nawrocki, enquanto Tusk mantém viva a força da direita-liberal.
