Antes de conseguir cortar o cabelo de algumas crianças, o barbeiro Renan Santana precisa construir uma relação de confiança que pode levar dias. Para quem sente desconforto com o barulho da máquina ou com o toque na cabeça, o atendimento exige adaptações, aproximação gradual e respeito aos limites. Na rotina do profissional, a conquista aparece quando uma criança que antes recusava o corte começa a se sentir confortável o suficiente para voltar.
Barbeiro há 20 anos, Renan começou no ofício aos 11 e conta que sempre teve facilidade para atender o público infantil. Com o tempo, passou a receber crianças com maior sensibilidade, e as indicações das famílias ampliaram a procura pelo trabalho, voltado também a crianças com transtorno do espectro autista (TEA) e experiências traumáticas com o corte.
O trabalho de Renan começa com uma conversa com os responsáveis para conhecer a história, as preferências e as dificuldades da criança. A partir das informações, o barbeiro organiza uma abordagem individual, com brincadeiras e recursos que ajudem a tornar o ambiente mais acolhedor. “O principal é entender a demanda de cada criança”, afirma.
Com atenção e experiência, o barbeiro vai dessensibilizando a criança para fazer o corte. Ele toca aos poucos a cabeça, molha os fios com um borrifador e, às vezes, apenas faz o barulho de tesoura perto do ouvido para que o cliente se acostume.
