Na fila do café, no ponto de ônibus ou em uma conversa de corredor, o gesto se repete sem que ninguém pense muito nele: o polegar procura o bolsinho da calça jeans e fica ali, encaixado. O compartimento é pequeno demais para um celular, raso demais para uma carteira e raramente guarda alguma coisa.
Ainda assim, segue costurado em praticamente todo jeans vendido no mundo, mais de 150 anos depois de ter sido criado para um objeto que quase ninguém carrega mais. A explicação para o hábito passa pela história da peça, pela posição do bolso em relação ao corpo e pelo que especialistas em comportamento não verbal descrevem como gestos de conforto.
Um bolso desenhado para o relógio dos trabalhadores do Oeste
A origem do bolsinho remonta a maio de 1873, quando o comerciante Levi Strauss e o alfaiate Jacob Davis receberam nos Estados Unidos a patente para reforçar com rebites de cobre as aberturas dos bolsos de calças de trabalho. As peças, chamadas na época de “waist overalls”, já tinham botões na braguilha, tecido denim azul e quatro bolsos: dois na frente, um atrás e um pequeno compartimento sobreposto ao bolso dianteiro direito.
Esse último tinha destino certo. Mineiros, vaqueiros e ferroviários do Oeste americano costumavam carregar relógios de bolso presos a correntes, e o bolsinho oferecia um lugar protegido para o objeto, longe de pancadas e da poeira do trabalho braçal. Por isso ficou conhecido em inglês como “watch pocket”.
