No Brasil, a corrida presidencial de 2018 foi agitada pela campanha do #EleNão - longe de uma versão lésbica das Elenas de Manoel Carlos, a hashtag era um grito de ordem da extrema esquerda (supositório dourado pelos artistas globais e intelectuais de orelha e quarta capa nacionais) contra a candidatura de Jair Messias Bolsonaro -, movimento que se repetiu, no pleito de 2022, com as tintas muito mais carregadas do antifascismo, que, agora em 2026, retorna anabolizada com o predicado antidemocrático.
Moro na Avenida Paulista. Hoje, como faço nas manhãs de sábado, desci para passear meu patrão, Hector - um Jack Russell bastante simpático que adora cumprimentar todas as pessoas na rua com efusiva alegria. Pela primeira vez, em seus 17 meses de vida, ele não me puxou pela coleira com a sua diária corrida feliz: não saiu do lugar; latiu desesperadamente, mas parado, até que começou a tremer diante do crescente número de sujeitos uniformizados de vermelho que gritavam em nossa direção: “Recua, fascista, recua! Recua, fascista, recua!”.
Peguei Hector no colo e voltei para meu apartamento. Ele permanece em meu colo enquanto escrevo, pois, não bastassem os gritos de guerra ensurdecedores vindos da rua, alguém resolveu estourar fogos de artifício.
