A produtividade do trabalho é o verdadeiro motor do crescimento econômico de longo prazo e do ganho sustentável de renda. Quando observamos os indicadores internacionais compilados pelo Conference Board e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil apresenta um abismo estrutural: a produtividade por hora trabalhada no país corresponde a aproximadamente 25% da média verificada nos Estados Unidos. No ranking mundial, a economia brasileira oscila em torno da 90ª posição entre mais de 180 nações, figurando muito distante de países de topo como Irlanda, Noruega, Luxemburgo e os próprios EUA, que geram elevado valor agregado por unidade de tempo.
Para analisar esse indicador com o devido rigor técnico, é preciso afastar uma confusão recorrente: produtividade não é uma medida de esforço individual ou de horas dedicadas à função. Na verdade, dados da OCDE mostram que a jornada média anual cumprida no Brasil supera a de diversos países europeus desenvolvidos. A métrica avalia a eficiência da combinação entre o trabalho humano e um ecossistema produtivo composto por capital físico, tecnologia, infraestrutura e segurança jurídica.
O principal fator explicativo para o hiato em relação às economias avançadas reside na baixa densidade de capital por trabalhador. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no Brasil tem se mantido estagnada em patamares próximos a 16% do PIB, volume insuficiente para cobrir a depreciação dos ativos e promover a modernização tecnológica.
