O julgamento de animais não é algo tão estranho historicamente como pode parecer à primeira vista. Coitados, além de se submeterem à opressão do homem, os bichos ainda tinham de suportar seus julgamentos!
Afrontas de animais à Igreja eram sempre punidas. Em 1949 alguns pardais foram excomungados por defecar na Igreja de ST Vincent, França. Em 1546 besouros foram pegos danificando vinhedos da igreja de St Julien, na França. Depois de várias audiências o julgamento foi feito, mas a decisão até hoje é desconhecida já que parte do documento foi comida, provavelmente pelos próprios besouros, revoltados por não terem sido chamados como testemunhas no processo em que estavam sendo acusados.
No século XVI os julgamentos de bichos eram tão comuns que Bartolomeu Chassennée, um distinto advogado francês ganhou fama como defensor dos animais. Ele defendia todo tipo de inseto e fera diante das cortes e usava seus conhecimentos legais para livrá-los da condenação como se estivesse lutando pela vida humana. Quando um grupo de ratos foi acusado de destruir toda uma cultura de cevada e nenhum deles apareceu diante da justiça, Chassenée alegou, com sucesso, que uma notificação seria insuficiente para notifica-los porque viviam em muitas cidades. Uma segunda intimação foi feita, mas os ratos não apareceram. Chassenée alegou que essa ausência fora deliberada já que os gatos da cidade poderiam ataca-los e mata-los.
