O racismo não nasceu com a ciência, mas encontrou nela uma forma de tentar se legitimar. No Brasil, isso aconteceu principalmente a partir do século 19, quando médicos, antropólogos e outros especialistas passaram a se dedicar mais à tarefa de medir crânios, classificar corpos e buscar diferenças biológicas que supostamente comprovariam a “superioridade” branca. Essas ideias, conhecidas como racismo científico, acabaram sendo desacreditadas depois, graças ao avanço da própria ciência. Mas não caíram em desuso sem antes deixar marcas profundas na sociedade brasileira.
Um dos exemplos históricos mais simbólicos é o de Jacinta Maria de Santana. Em novembro de 1900, a jovem negra e pobre foi encontrada morta no centro de São Paulo. Em vez de ser sepultado, seu corpo foi entregue pela polícia ao médico legal Amâncio de Carvalho, que autorizou sua mumificação. Amâncio foi presidente honorário da Sociedade Eugênica de São Paulo, e trabalhava como professor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
Dias mais tarde, o corpo passou a ser exposto em uma sala de aula, desta vez como curiosidade científica, para alunos da Faculdade de Direito. Ali, permaneceu por quase três décadas, até 1929, como material didático e alvo constante de trotes dos estudantes.
Racismo científico: como a ciência ajudou a legitimar o preconceito racial no Brasil
