O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, realizado na reta final do segundo turno das eleições de 2026, terminou sem que nenhum dos candidatos conseguisse convencer de maneira consistente o eleitor ainda indeciso. Embora tenha apresentado momentos de discussão mais objetiva sobre propostas e ideias, o encontro foi marcado por ataques pessoais, ironias e provocações que pouco contribuíram para o esclarecimento do eleitor. Foi, em alguma medida, melhor do que o debate anterior, mas permaneceu distante do que se espera de um confronto entre dois candidatos à Presidência da República.
Os chamados momentos de “quinta série”, com ofensas e discussões estéreis, voltaram a ocupar um espaço excessivo. Ao invés de aproveitar a oportunidade para apresentar projetos, explicar escolhas e demonstrar preparo para enfrentar os desafios do país, os candidatos desperdiçaram minutos preciosos em embates que pouco acrescentaram ao debate público. O resultado foi um programa que, em diversos momentos, afastou a atenção do telespectador justamente quando deveria despertar seu interesse e ajudá-lo a formar uma convicção.
Flávio Bolsonaro parece ter levado alguma vantagem no desempenho, sobretudo pela maior contundência em suas colocações e pela capacidade de sustentar determinadas críticas ao adversário. Isso não significa, entretanto, que tenha aproveitado plenamente a oportunidade.
