A urna eletrônica brasileira completou 30 anos em 2026. Por trás dos botões usados pelos eleitores, há um sistema operacional próprio, chips criptográficos e mecanismos de verificação que ajudam a proteger os programas eleitorais e os resultados da votação.
Nas eleições municipais de 2024, mais de 155 milhões de eleitores e cerca de dois milhões de mesários participaram do pleito. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi a maior eleição informatizada do mundo.
O sistema operacional feito para a urna
A urna utiliza o UEnux, sistema operacional baseado em Linux desenvolvido para o TSE e adotado oficialmente a partir do modelo UE2008. Em vez de reunir os recursos de um computador convencional, ele executa apenas as aplicações necessárias à votação. Não oferece terminal de comandos exposto nem dispõe de componentes físicos para conexão à internet.
Essa configuração reduz a quantidade de recursos que poderiam apresentar vulnerabilidades. O sistema também impede a instalação de programas externos e verifica as assinaturas digitais dos arquivos executados. Se um programa não corresponder aos padrões oficiais de autenticidade, a urna impede sua execução.
“Sempre que a gente diminui um software, a gente reduz a possibilidade de bugs e outros tipos de falhas”, explicou Jéferson Campos Nobre, professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em entrevista ao Olhar Digital.
A proteção também depende de componentes físicos.
