Ercílio Massahito Hoçoya, 44 anos, aprendeu a tocar o negócio da família errando. Formado em Tecnologia em Agronegócio pela Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Mogi das Cruzes (SP), ele comanda a Fruticultura Hoçoya, no bairro mogiano Cocuera, ao lado do pai, Takeo Hoçoya, de 79 anos. É a terceira geração de uma família que colhe caqui há décadas e que ganhou 30 vezes seguidas o prêmio de melhor produtor da fruta numa cooperativa.
Hoje, Ercílio olha ao redor e vê o oposto. Segundo ele, quase 90% dos produtores de caqui Fuyu que conhece têm a idade dos pais dele e nenhum sucessor. “Então vai acabar”, diz.
O dado dele é uma percepção, mas dialoga com os números oficiais. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017 do IBGE, apenas 12,7% dos produtores brasileiros tinham menos de 35 anos, e mais da metade passava dos 55. O censo de 2027 vai incluir a sucessão rural entre os temas pesquisados.
Uma terra ruim e um anúncio de jornal
A história da fruticultura começa com uma decisão de sair de onde não havia futuro. Os avós de Ercílio, imigrantes japoneses, viviam no bairro dos Pimentas, em Guarulhos (SP), onde criavam aves e plantavam frutas. A terra era pedregosa, o terreno tinha muito morro e faltava água.
A avó viu num jornal o anúncio de uma propriedade à venda em Biritiba Mirim (SP) e decidiu que a família precisava comprá-la. Segundo Ercílio, ela estava certa: ficar em Guarulhos significava não crescer. A propriedade já tinha um pomar de caqui plantado.
