Existe uma ideia bastante disseminada de que o desejo sexual diminui naturalmente com a idade e que, depois dos 40 ou 50 anos, resta apenas aceitar essa mudança. A realidade é muito mais complexa.
A sexualidade pode se modificar ao longo da vida, mas não existe uma idade a partir da qual desejo e prazer devam necessariamente desaparecer. Algumas mulheres percebem redução importante da libido durante a transição para a menopausa. Outras praticamente não observam mudança. Há ainda aquelas que passam a viver a sexualidade de maneira mais satisfatória nessa fase.
Por isso, quando uma paciente me diz que perdeu o desejo, a pergunta não deveria ser apenas “como estão seus hormônios?”. Precisamos entender o que está acontecendo com aquela mulher.
Sono ruim, estresse, ansiedade, depressão, doenças crônicas, alguns medicamentos, alterações da imagem corporal, sobrecarga de trabalho, rotina familiar e a qualidade do relacionamento podem interferir na libido. Muitas vezes, vários desses fatores estão presentes ao mesmo tempo.
Existe ainda uma questão pouco discutida. Nem sempre o desejo sexual surge antes da aproximação ou do estímulo. Em relacionamentos mais longos, especialmente, algumas mulheres apresentam aquilo que chamamos de desejo responsivo. A vontade pode aparecer depois do início da intimidade, do toque, da proximidade emocional ou da excitação, e não necessariamente como um impulso espontâneo que surge durante o dia.
Isso não significa que exista algum problema.
