Anatomia especializada com olhos tubulares fixos, 14 vértebras cervicais e um sistema circulatório com folga arterial permitem que as corujas girem o pescoço em até 270 graus. O movimento extremo é uma necessidade biomecânica provocada pela incapacidade de mover os globos oculares dentro das órbitas como os mamíferos.
A ideia de que as aves realizam um giro completo de 360 graus é um mito popular. A amplitude causaria danos irreversíveis à medula espinhal e ao tronco encefálico, levando o animal ao óbito.
Diferente do olho humano e de outros mamíferos, que possui formato esférico e musculatura livre para se movimentar, os olhos das corujas apresentam formato tubular e são rigidamente encaixados na caixa craniana. Para enxergar o que está ao redor ou monitorar o ambiente em busca de ameaças, a ave precisa obrigatoriamente movimentar toda a cabeça.
A estrutura óssea do pescoço fornece a base para essa amplitude. Enquanto os mamíferos possuem apenas sete vértebras cervicais, as corujas contam com 14 peças ósseas na região do pescoço, o que dobra a flexibilidade articular da coluna. A musculatura do pescoço é igualmente adaptada para o controle minucioso do movimento.
