Na profundeza dos oceanos, onde a luz do sol não chega e a água registra temperaturas próximas do congelamento, organismos marinhos enfrentam forças físicas grandiosas. A cada 10 metros de profundidade, a pressão atmosférica aumenta o equivalente a uma caixa de força (1 atm). Em regiões abissais e hadais, localizadas a milhares de metros abaixo da superfície do mar, o peso da água sobre cada centímetro quadrado de um ser vivo esmagaria instantaneamente estruturas convencionais.
“Em áreas de fossas oceânicas, nos pontos mais profundos do planeta, a pressão pode chegar a mais de mil atm. Quanto mais profundo se está no oceano, maior a pressão que a coluna de água exerce sobre um corpo”, explica a pesquisadora Raquel Avelina, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e apoiada pelo Instituto Serrapilheira.
A sobrevivência nos locais isolados do planeta depende de uma combinação precisa de engenharia anatômica, fluidez celular e química molecular adaptada.
Estruturas livres de ar e corpos ricos em água
Para suportar o peso da coluna d’água sem colapsar, os animais das zonas mais profundas abdicaram de órgãos e cavidades que armazenam ar. Ao contrário de espécies da superfície, esses seres não possuem pulmões ou bexigas natatórias desenvolvidas.
“Dentre as adaptações, uma das principais é a ausência ou redução de cavidades dentro das quais existe um tipo de gás. O gás é muito compressível pela pressão, enquanto os líquidos não são.
