Na ciência política, coalizão é a soma de forças diferentes em torno de um objetivo comum. No modelo clássico, ela se monta de cima para baixo. Partidos negociam apoio, tempo de TV, palanques estaduais e cargos, e levam suas bancadas para dentro da campanha. Existe outro tipo, menos formal, que se forma de fora para dentro, quando grupos da sociedade se mobilizam por conta própria em torno de um candidato.
A dois dias do segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) chegam às urnas apoiados em coalizões desses dois tipos. Flávio optou pelo modelo clássico. A federação PP-União Brasil anunciou apoio incondicional ao senador, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se engajou na campanha e esteve com ele no QG nesta sexta para preparar o último debate. Lula também tem partidos ao lado, mas a força que marcou sua reta final veio de fora da política, do eleitorado feminino.
O próprio adversário parece reconhecer isso. Flávio embarcou para o Rio nesta sexta (23) com a folha de anotações para o último debate à mostra e, segundo jornalistas que acompanharam o embarque, deixou propositalmente que ela fosse fotografada. Logo no alto, ao lado da palavra “mulheres”, ele escreveu “falar para elas”, e repetiu a instrução junto aos temas do preço do mercado e da segurança. A palavra “estadista” aparece circulada no canto da página.
É entre as eleitoras que a rejeição a Flávio é maior.
