A palavra cínico é comumente utilizada em sentido pejorativo para indicar que uma pessoa age com descaramento, fingimento, hipocrisia ou deboche. Na Antiguidade Clássica, porém, o cinismo era uma escola filosófica que valorizava a simplicidade e o desapego, rejeitando a busca incessante por riquezas e aprovação social.
O termo cínico vem do grego kynikós, relativo a “cão”, pois seus adeptos viviam livremente, sem se submeter às convenções sociais ou alimentar o desejo de acumular bens materiais, à semelhança dos cães de rua.
Um dos representantes mais famosos dessa corrente foi Diógenes de Sinope, conhecido por dormir em um barril e perambular pelas ruas de Atenas, em plena luz do dia, com uma lanterna acesa, dizendo: “Procuro um homem”. Assim, buscava alguém verdadeiramente autêntico, íntegro, corajoso e desprendido das convenções.
Conta-se que, certa manhã, Diógenes tomava sol, deitado ao lado de seu abrigo, quando o jovem Alexandre, que posteriormente seria conhecido como “o Grande”, apresentou-se e anunciou:, Posso lhe conceder o que desejar..., Quero apenas que saias da frente do meu sol, pois estás me fazendo sombra!, respondeu o filósofo, sem sequer se levantar, ao mais poderoso de sua época.
Os membros da corte e os soldados quiseram zombar da situação, mas Alexandre os repreendeu:, Não riam deste homem. Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes.
A história dos pensadores cínicos é um convite a uma existência mais autêntica e livre.
