Nesta sexta, Lula e Flávio Bolsonaro estarão frente a frente no debate da TV Globo. Milhões de brasileiros acompanharão cada palavra, cada gesto, cada provocação. Mas há uma pergunta que nenhum dos dois ainda não conseguiu responder: em que momento começamos a nos odiar tanto por pensar diferente?
É triste perceber que a política, criada para cuidar da vida em sociedade, tenha se tornado motivo para tantas pessoas deixarem de cuidar umas das outras.
Que Lula e Flávio discutam, confrontem ideias, defendam seus projetos. É para isso que existe o debate. Mas que não esqueçamos que, do outro lado da televisão, existe um país cansado de brigar consigo mesmo.
Não precisamos concordar em tudo. Há valores que não se negociam, injustiças que precisam ser combatidas e diferenças que merecem discussão séria. Mas ninguém deveria precisar escolher entre suas convicções e o amor pela própria família.
Daqui a três dias, alguém vencerá a eleição. Haverá festa de um lado e decepção do outro. E, na manhã seguinte, continuaremos precisando uns dos outros.
Talvez seja essa a verdade que estamos esquecendo.
Porque, quando a vida nos coloca diante de uma doença, de uma despedida ou da perda de alguém querido, pouco importa a cor da camisa que vestimos durante uma campanha. Queremos apenas uma mão estendida. Uma voz conhecida. Alguém que fique.
Que vença quem o povo escolher. Mas que o Brasil não perca a capacidade de amar os seus.
