A Diamante Energia testou uma mistura de carvão mineral e biocarvão produzido a partir de cascas de coco na usina termelétrica de Pecém, no Ceará. Realizado em 14 de outubro, o ensaio foi a primeira experiência industrial de um projeto que busca avaliar a viabilidade técnica da substituição parcial do combustível fóssil na geração de energia.
Foram utilizadas aproximadamente 150 toneladas de combustível: 148,5 toneladas de carvão mineral e 1,5 tonelada de biocarvão. A biomassa convertida em carvão representou 1% da mistura utilizada na caldeira da Unidade Geradora 1 (UG1), com capacidade de 360 megawatts (MW).
O teste levou à operação da usina uma tecnologia desenvolvida em laboratório desde 2024, em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece). A iniciativa integra o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
As análises laboratoriais indicaram que o biocarvão apresentou poder calorífico superior ao do carvão mineral utilizado na térmica e teor de enxofre mais de dez vezes menor. Os benefícios ambientais e a viabilidade econômica da alternativa, porém, ainda dependem de avaliações complementares.
A próxima etapa será analisar os dados coletados no ensaio industrial. Os pesquisadores vão avaliar o comportamento da mistura nos sistemas de moagem e alimentação da caldeira, a estabilidade da combustão, as características das cinzas e os possíveis impactos sobre as emissões atmosféricas.
